
A onça-pintada Ibaca, conhecida por turistas, fotógrafos e pesquisadores que acompanham a vida selvagem no Pantanal de Mato Grosso, morreu neste sábado (31), após ser resgatada em estado de extrema debilidade na noite de sexta-feira (30). A fêmea deixa um filhote de aproximadamente um ano.
Segundo o biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino, a onça pesava pouco mais de 30 quilos no momento do resgate. Ela foi encaminhada para Cuiabá, onde passaria por exames, mas não resistiu.
A causa da morte ainda não foi esclarecida. Uma necropsia está sendo realizada para identificar o que provocou o agravamento do estado de saúde do animal.
Guias e observadores da vida selvagem também estão reunindo vídeos registrados em diferentes datas para tentar entender como Ibaca perdeu peso tão rapidamente.
Acompanhada por quase dez anos
Também conhecida como Tina, Ibaca era monitorada na região desde 2016 e se tornou uma das onças mais conhecidas entre os observadores da fauna pantaneira.
De acordo com o Projeto Jaguar ID, ela foi registrada durante dez temporadas consecutivas, entre 2016 e 2025. Seu nome tem origem tupi-guarani e significa “um céu com estrelas”.
Ao longo dos anos, a fêmea foi fotografada e filmada em diferentes momentos da vida, incluindo interações com outros animais, períodos de reprodução e cuidados com seus filhotes.
Legado de diferentes gerações
O catálogo do projeto identifica Ibaca como filha da onça Overa e irmã de Saseka, Siriri e Cururu.
Entre os filhotes registrados estão Ipepo, Jasy e Apejara, documentados em diferentes temporadas, incluindo 2018, 2022 e 2025.
A onça também teve registros ao lado de parceiros reprodutivos como Xingu, Guassú, Bagua e Merlin.
O acompanhamento de Ibaca ao longo de quase uma década contribuiu para documentar relações de parentesco e diferentes gerações de onças-pintadas em vida livre no Pantanal mato-grossense.