Mariana da Silva/GD
O governador Mauro Mendes (União Brasil) acredita que o “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump a outros países deve gerar uma “confusão mundial” e inflação geral. O gestor estadual defende que a lei de reciprocidade seja mantida para “tratar os outros como nos tratam”.
“O Trump tá causando uma grande confusão mundial. Aonde isso vai parar? Muitos analistas tentam adivinhar, mas ninguém consegue enxergar um cenário positivo com essa estratégia. [...] O Trump está nesse momento a desencadear uma desordem na economia mundial e um aumento da inflação em todos os países para que ele possa arrecadar mais lá”, criticou durante entrevista nesta quinta-feira (3)
Mendes ainda afirma que a atitude de Trump tem assustado o mundo e as ações americanas trarão consequências para consumidores de várias partes do planeta. Ele ainda defendeu que a lei da reciprocidade seja, naturalmente, aplicada, já que seria o básico neste caso.
“Do jeito que você me trata, eu também tenho o direito de lhe tratar. Isso é básico. Se você trata um amigo com carinho, com respeito, esse amigo vai lhe tratar com carinho e com respeito. Se você é mal tratado, você tem o direito no mínimo de virar as costas, mas também de tratar mal. Não podemos aceitar ele prejudicar as exportações brasileiras e nós ficarmos aqui observando isso sem dar aos produtos americanos o mesmo tratamento que ele tá dando aos produtos brasileiros”, disse.
Questionado sobre como o movimento estadunidense traria reflexos para o estado de Mato Grosso, Mendes argumentou que o estado tem uma economia extremamente competitiva e que o agronegócio faz comércio com centenas de países ao redor do planeta. Ele tem convicção de que, com a competência das exportações do setor, as dificuldades serão vencidas.
No entanto, alertou para que os brasileiros se cuidem e não aceitem uma imposição da tarifa sem responder à altura, para que a economia brasileira não seja contaminada pela inflação global.
''Tarifaço nos EUA''
Na quarta-feira (2), o governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou a imposição de tarifas a todos os parceiros comerciais em uma tentativa de combater os déficits comerciais de bens que somam cerca de US$ 1 trilhão ao ano. Em média, as taxas aplicadas por Trump foram de 10% para países da América Latina, de 20% para Europa e de 30% para Ásia, mostrando que o problema maior está no continente asiático. Serão aplicadas tarifas de importação de 10% sobre os produtos oriundos do Brasil.
Um dos principais argumentos da Casa Branca para o tarifaço desta semana é que os parceiros comerciais têm adotado tarifas aos produtos estadunidenses superiores aos que os EUA aplicam nas suas importações e cita o caso do Brasil. O republicano apresentou uma tabela com as taxas que serão aplicadas aos parceiros comerciais dos EUA.
Trump avalia que grandes e persistentes déficits comerciais anuais de bens dos EUA são causados em parte substancial pela falta de reciprocidade nas relações comerciais bilaterais, que dificultam a venda de produtos por fabricantes dos EUA em mercados estrangeiros. Ele acredita que este é “um dia histórico para a América” e que as medidas, além de fazerem os EUA “ricos novamente”, fortalecerão o mercado de trabalho e indústria do país.