
Em um depoimento emocionante prestado hoje (22), a mãe da produtora rural e vendedora de queijos, Raquel Cattani, morta a facadas em julho de 2024, relembrou o horror de ter encontrado o corpo da filha e falou sobre a dor dos netos. Sandra Cattani foi ouvida durante o julgamento dos irmãos Romero Xavier Mengarde (ex-marido de Raquel) e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados de serem os autores do crime, no Fórum de Nova Mutum (a 241 km de Cuiabá), em Mato Grosso.
Sandra relatou que estranhou a falta de contato da filha e, ao ir até a residência na zona rural, encontrou Raquel no chão da casa. "Pensei que ela tivesse passado mal, mas quando cheguei perto, o corpo estava gelado e rígido", disse.
Ela descreveu o desespero de tentar chamar pela filha, já sem vida, e afirmou que a cena nunca saiu de sua memória. Sandra cobrou a condenação à máxima do ex-genro e do irmão dele.
"Eu espero que Deus amenize essa nossa dor. [...] Eu sei que vai ser feito Justiça. Eu creio. O mínimo que espero é que sejam condenados e peguem a pena máxima, mas isso não vai trazer ela de volta”, declarou Sandra.
Ao ser questionada pelo Ministério Público sobre o impacto da tragédia na família, Sandra chorou ao falar dos netos, que hoje vivem com ela e o marido, o deputado estadual Gilberto Cattani (PL). Segundo ela, as crianças sabem da morte da mãe e a saudade é diária. A neta mais nova, inclusive, pede para ver fotos e vídeos de Raquel todas as noites e se recusa a tirar uma camiseta que era da mãe.
“Ele tirou o direito de eles terem a mãe. Ele acabou com a vida dos filhos dela. [...] Raquel faz muita falta. Corta nosso coração quando as crianças pedem por ela”, afirmou.
Relação controladora
A mãe também descreveu Raquel como uma mulher simples e dedicada ao trabalho no sítio, onde produzia queijos e estava em plena ascensão profissional. Segundo o depoimento, a filha sofria com humilhações e com o perfil controlador de Romero, que chegava a mexer no celular da vítima sem autorização.
Sandra relatou ainda que, no dia anterior ao crime, Romero buscou os filhos e chegou a chorar durante um almoço, comportamento que lhe chamou a atenção.
O crime
Romero Xavier foi casado com Raquel por cerca de dez anos e não aceitava o fim do relacionamento. Segundo o Ministério Público, ele planejou o assassinato da ex-mulher e ofereceu R$ 4 mil ao irmão, Rodrigo Xavier, para matá-la.
Com isso, Rodrigo entrou na casa da vítima por uma janela, no Assentamento Pontal do Marape, na noite do dia 18 de julho daquele ano, e aguardou a chegada dela.
Raquel foi atacada com 34 facadas e, em seguida, o assassino revirou o quarto dela para forjar uma cena, furtou diversos pertences e fugiu usando a motocicleta da vítima.
O corpo foi encontrado no dia seguinte pela mãe de Raquel, Sandra Cattani.
Pelos crimes, Romero foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, emboscada, promessa de recompensa e feminicídio, cuja pena pode chegar a até 30 anos de prisão.
Já Rodrigo foi denunciado pelos mesmos crimes, além de furto qualificado.
O julgamento, presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, segue ao longo desta quinta-feira com o depoimento de outras testemunhas. A decisão final sobre a condenação dos irmãos Xavier cabe ao Conselho de Sentença, formado por sete jurados.