
Um dos presos durante a Operação CyberCombat, deflagrada na manhã de hoje (21) pela Polícia Civil de Lucas do Rio Verde (a 243 km de Cuiabá), é Augusto Taques, de 28 anos, filho do ex-vereador por Cuiabá Augusto Taques, que exerceu mandato entre 1997 e 2000. O investigado tem o mesmo nome do pai.
Além dele, também foram presos a esposa, Tamires Violin Taques, de 27 anos, e o cunhado, Guilherme Violin, de 21. O trio foi localizado no município de Piracicaba (SP), onde residia. Segundo a polícia, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas, invasão de dispositivos e falsidade ideológica.
As investigações tiveram início em dezembro do ano passado, após uma vítima procurar a Polícia Civil e relatar que teve a conta do gov.br invadida. A partir do acesso indevido, dados pessoais foram utilizados para financiamento de veículos, abertura de contas bancárias e outros registros fraudulentos em nome da vítima.
Entre os alvos dos criminosos está um procurador do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que chegou a repassar informações aos golpistas, mas desconfiou da fraude antes de sofrer prejuízos maiores.
Com o avanço das apurações, os policiais identificaram os três suspeitos e passaram a monitorar a atuação do grupo. Conforme a Polícia Civil, nas redes sociais, os investigados ostentavam uma vida de alto padrão, com publicações de carros de luxo e rotina sofisticada, incompatíveis com a renda declarada.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, computadores, chips de telefonia e HDs em imóveis localizados nos bairros Jardim Alvorada e Nova América, em Piracicaba. Em apenas um dos aparelhos celulares, a polícia estima a existência de dados relacionados a ao menos 50 vítimas de golpes aplicados pela internet.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o prejuízo causado pelas fraudes.
Vítimas em vários estados e vida de luxo
Em entrevista coletiva concedida em Piracicaba, o delegado Breno Houly, responsável pela investigação em Lucas do Rio Verde, afirmou que até o momento já foram identificadas cerca de 40 vítimas, espalhadas por Mato Grosso, Goiás e outros estados. Parte delas, segundo o delegado, ainda não havia percebido que teve os dados violados.
As investigações também apontaram que os suspeitos ostentavam uma vida de alto padrão nas redes sociais, com registros de apartamentos de luxo, viagens frequentes e veículos importados, como Jaguar e BMW, incompatíveis com as atividades profissionais declaradas.