
No primeiro mês do ano, são realizadas ações importantes voltadas à saúde da população. A campanha Janeiro Roxo é uma delas, alusiva ao Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, celebrado em 26 de janeiro, em um cenário onde a doença ainda é cercada por estigma e desinformação. A mobilização social e a busca ativa de casos são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão, evitar incapacidades físicas e garantir o direito à saúde da população.
Em Nova Mutum, a Secretaria de Saúde realiza o diagnóstico clínico e multiprofissional, nas Unidades de Atenção Primária à Saúde por médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, com apoio de exames complementares quando necessários. O tratamento, oferecido integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é simples, via oral. A duração varia, em média, entre seis meses e um ano, conforme a forma clínica, e apresenta altas taxas de cura quando seguido corretamente.
A transmissão ocorre, principalmente, por vias aéreas superiores (tosse, espirro, fala) a partir de pessoas doentes que ainda não iniciaram tratamento. No entanto, é essencial destacar que a hanseníase não se instala de forma imediata: geralmente é necessário convívio prolongado, entre 3 e 5 anos, em ambiente domiciliar, de trabalho ou de convivência próxima. Uma vez iniciado o tratamento regular, o paciente deixa de transmitir a doença.
Os dados epidemiológicos de Nova Mutum, no período de 2015 a 2025, evidenciam a magnitude do problema e a necessidade de vigilância contínua. Em dez anos, o município registrou 316 casos de hanseníase. O ano de 2025, porém, é especialmente expressivo, com 90 diagnósticos registrados, o maior número nos últimos 10 anos.
A análise por faixa etária mostra que a maior concentração de casos está em adultos em idade produtiva, especialmente entre 35 e 64 anos, o que tem impacto direto na força de trabalho e na renda familiar. Também se observa registro de casos em crianças e adolescentes (faixas de 5 a 19 anos), o que é um forte indicador de transmissão ativa recente no território e sinaliza a necessidade de ações mais incisivas junto às famílias e às escolas.
Juliana Manfroi, coordenadora de Vigilância Epidemiológica, reforça que a responsabilidade é compartilhada entre poder público e cidadãos no controle da doença. “Quando a comunidade se informa, perde o medo, rompe o preconceito e procura o serviço de saúde diante dos primeiros sinais, nós conseguimos diagnosticar mais cedo, tratar com mais eficácia e evitar que a hanseníase marque para sempre a vida das pessoas”.
A mensagem central da campanha é clara: hanseníase tem cura, o tratamento é gratuito e disponível no SUS, e cada pessoa informada é um agente fundamental na proteção da saúde coletiva em Nova Mutum.